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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Confira a entrevista de Silvio Santos no Jornal da Cidade do último domingo

Confira a entrevista concedida pelo Prefeito em exercício de Aracaju e Secretário Municipal de Saúde, Silvio Santos, ao Jornal da Cidade deste domingo.

Publicada: 26/12/2010

Texto: Eugênio Nascimento

A presidente eleita Dilma Rousseff recebeu a ex-secretária de Estado do Planejamento de Sergipe, Lúcia Falcón, ficou impressiona com o seu nível de conhecimento, mas “entre a impressão e a pressão a presidente foi vencida pela segunda opção”. Quem tem essa avaliação é o presidente estadual do PT e vice-prefeito no exercício do cargo de prefeito, Sílvio Santos. Sílvio, que disponibilizou seu nome para disputar a PMA em 2012, acredita que o fato de ser petista, como o governador Marcelo Déda, não lhe causaria reação contrária dos aliados dos demais partidos. Ele revela que o governador ainda não expôs ao partido a dimensão da reforma administrativa que pretende fazer para o segundo mandato.

Jornal da Cidade -Por que o PT de Sergipe não conseguiu emplacar nenhum ministro ou ministra?
SÍLVIO SANTOS - Nós oferecemos Lúcia Falcón, um dos nossos melhores quadros, para compor o ministério da presidente eleita. Dilma conversou com ela, ficou impressionada e a queria no ministério. Mas entre a impressão e a pressão, a presidente foi vencida pela segunda. Sabemos que não é fácil montar um governo de coalizão e ainda ter que contemplar as forças internas do PT. No caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a presidente Dilma optou por contemplar a Bahia, o governador Wagner e uma das correntes internas do PT, a Democracia Socialista, que estava sem espaço no governo. Uma pena, porque o governo de Dilma é quem perde por não ter em seus quadros alguém com a competência e qualificação de Lúcia.

JC - Não indicar ministro mostra fraqueza do PT sergipano e de suas principais lideranças?
SS - Não. De jeito nenhum. Nós oferecemos Lúcia e poderíamos oferecer mais cinco ou seis nomes altamente qualificados. Fraqueza é se não tivéssemos nomes à altura para indicar. Nós temos responsabilidade com o Brasil e com o nosso governo. Jamais indicaríamos um nome somente para demonstrarmos força política. Um nome que não pudesse contribuir qualitativamente para o sucesso do governo e para o progresso do nosso país. Tanto eu, como presidente do PT no Estado, como o governador Déda e Zé Eduardo defendemos o nome de Lúcia, mas a decisão de Dilma foi por outro nome para contemplar uma corrente do PT que estava sem representação no governo.

JC - A vitória um tanto apertada de Déda e Dilma em SE pode ter contribuído para não conseguir ministério. Veja o sucesso dos governadores da Bahia, Pernambuco, Ceará etc.
SS - Não acredito que esta tenha sido a razão. Em São Paulo nós perdemos para governador, para presidente nos dois turnos e ainda assim é de lá o maior número de ministros. Aqui em Sergipe nós elegemos a presidente nos dois turnos, reelegemos nosso governador mais uma vez no primeiro turno, elegemos dois senadores e sete em oito deputados federais para a base de apoio do governo de Dilma. Se isso não for força política eu já não sei mais o que será.

JC - O PT vai querer disputar a sucessão de Edvaldo Nogueira na Prefeitura de Aracaju? Você pretende mesmo ser candidato?
SS - O Partido dos Trabalhadores é um partido muito forte em Sergipe, muito representativo e com base social real. Nós temos a maior bancada federal, com dois deputados eleitos, temos a maior bancada estadual na Assembleia junto com o PSC, com quatro deputados estaduais eleitos, temos a maior bancada na Câmara de Vereadores de Aracaju, com seis vereadores, então é natural e é legítimo que o PT reivindique e se apresente com candidato próprio para qualquer eleição. Naturalmente que nós vamos construir uma candidatura que tenha capacidade de manter unido o bloco de partidos que hoje sustenta o projeto político liderado pelo PT. Mas também devemos considerar legítimo se algum desses partidos reivindicar e decidir marchar com candidatura própria. Quanto ao meu nome, já está à disposição do partido desde quando me dispus a ser vice prefeito. Mais do que isso, eu quero, estou disposto e preparado para ser prefeito da nossa capital. Isso não elimina do debate outros nomes nem dentro, nem fora do PT, mas trabalho sim na perspectiva de chegar a 2012 em condições de liderar os partidos do nosso bloco nas eleições para a Prefeitura de Aracaju.

JC - O desejo de preservar o governo do Estado e a PMA em mãos petistas não poderá causar um racha no bloco governista em 2012?
SS- Não acredito. Nós somos uma coalizão. Nossa experiência é governar com todos. Nossa discussão no bloco nunca foi mesquinha no sentido de quem está ali não pode estar acolá. Pelo contrário, sempre tivemos com todos uma relação generosa. O compromisso com o projeto político e a nossa unidade sempre foram os objetivos prioritários.

JC - A Secretaria da Saúde de Aracaju lhe projetará para disputar a PMA?
SS - Pode ser que sim ou pode ser que não. Quando aceitei o desafio de assumir a Secretaria de Saúde foi para enfrentar um problema desse momento e desse governo que eu sou co-responsável como vice-prefeito. Não foi pensando no próximo governo ou na próxima eleição. Na Saúde ou em qualquer outra pasta eu serei avaliado pelos meus acertos e pelos meus erros. Assim, a minha responsabilidade e o meu objetivo central é resolver um problema do presente e o meu compromisso primeiro é com o mandato que tenho no presente. O futuro a Deus pertence.

JC - Como está a relação com os médicos e a prestação de serviços à comunidade na área de saúde em Aracaju? Por que o povo reclama tanto?
SS - Estamos, nesse breve espaço de tempo de um mês, resolvendo as coisas. Quando cheguei havia entre tantos problemas graves “três sangrias desatadas”: 1) a falta de medicamentos; 2) a falta de médicos; 3) a demora na realização e entrega de exames. Hoje nós já temos 100% dos medicamentos nas farmácias de nossas unidades de atenção básica e na rede de urgência e emergência; os exames mais simples, como hemograma, sumário de urina, etc., já voltaram a rodar normalmente e com a devida agilidade e já começamos a atender os exames de alta complexidade, que por haver uma demanda reprimida ainda existem atrasos, mas em duas semanas voltaremos à normalidade, lembrando que estes exames mais complexos, como ressonância, tomografia, etc, têm um tempo maior para o atendimento do que aqueles mais simples. Resta ainda passível de solução definitiva a questão dos médicos. Avançamos nas condições de trabalho, já iniciamos as melhorias na estrutura física, equipamentos etc, mas não temos como fazer frente ao leilão patrocinado por algumas prefeituras do interior e pela Fundação Estadual de Saúde em relação aos salários dos médicos. Temos encontrado dificuldades para fechar nossas escalas e estamos buscando a alternativa de contratar profissionais emergencialmente para atender na urgência e emergência e ao mesmo tempo vamos chamar um novo concurso público para repor profissionais que perdemos naquele leilão a que me referi. Além disso, estamos mudando fluxos, implantando controles gerenciais e dotando a secretaria de instrumentos para otimizar recursos que nos ofereçam condições de prestar serviços de boa qualidade para a nossa população.

JC - E a reforma do primeiro escalão do governo do Estado. Deve ser mesmo mínima ou merecia ser grande para dar maior agilidade?
SS - Esse processo ainda está na cabeça do governador Déda. Ele ainda não expôs pra nós a dimensão do que pretende alterar. Pelo que foi dito por ele na campanha eleitoral, esse segundo mandato vai avançar muito em relação ao primeiro. Nesse sentido, acho que a mexida será grande. Senão nas pessoas, mas na filosofia. De qualquer forma, é preciso afirmar que o governador é um homem muito focado e determinado em relação aos seus objetivos e compromissos com os sergipanos. Déda tem a nossa confiança para tomar as medidas que julgar necessárias para levar o governo às realizações com as quais se comprometeu perante os sergipanos.

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