Diversos fatores contribuem para a vulnerabilidade das mulheres ao HIV, um deles é a dificuldade em negociar o uso do preservativo com o seu parceiro. Para refletir sobre estratégias de cuidado voltadas para o público feminino, 56 mulheres soropositivas dos estados de Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco, Maranhão e Bahia se reuniram no II Encontro Regional das Cidadãs PositHIVas do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas/Sergipe. O coordenador do Programa Municipal de DST/Aids e Hepatite Virais da Prefeitura de Aracaju, Andrey Lemos, destacou o papel da mulher na sociedade. "Apesar da mulher está ocupando diversos espaços na sociedade, ela ainda tem dificuldade de exigir do seu parceiro o uso do preservativo, nesse aspecto, temos que fortalecer a idéia de que elas são as multiplicadoras dessa causa", disse.
A abertura do encontro aconteceu no auditório do Hotel Mercure e foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde. O evento discutiu assuntos relacionados exclusivamente ao universo das mulheres que vivem com HIV. Questões como violência doméstica, vulnerabilidade, preconceito, direito a maternidade e o tratamento realizado pelas portadoras, foram as principais temáticas discutidas.
No encontro aconteceu uma palestra ministrada pela coordenadora do Programa Saúde da Mulher, Carolina Miranda que destacou a vulnerabilidade da mulher quanto à doença. "As mulheres soropositivas são vítimas principalmente de violência, relações de gênero, preconceito e racismo” ressalta Caroline Miranda.
Para o coordenador do programa estadual de DST/Aids, Dr. Almir Santana, esse movimento nacional é de extrema importância para alertar a sociedade sobre a prevenção da Aids. "Cerca de 800 mulheres são soropositivas em Sergipe, a Aids está sendo inserida cada vez mais no cotidiano das pessoas, elas têm relaxado quando o assunto é prevenção", alertou o Dr. Almir Santana.
A maioria das cidadãs positHIVas que participaram do encontro contraiu o HIV de seus maridos ou de parceiros fixos. Esse foi o caso da estudante, Rosilene Vieira que contraiu o vírus há 11 anos. Ela descobriu que era portadora do vírus antes mesmo de seu marido descobrir. "Contraí a doença através de meu marido, com quem vivo até hoje. Aprendi a viver depois da doença", relata a estudante.
De acordo com o Secretário Municipal da Saúde, Silvio Santos, no encontro foi possível trocar vivências, pois cada portadora tem a oportunidade de compartilhar suas histórias e experiências. "Essa é uma forma de fortalecer ainda mais a luta dessas mulheres. Neste ato, elas são as protagonistas, aqui elas aprendem a melhorar a auto-estima e a acabar com o preconceito", afirma Silvio Santos.



0 comentários:
Postar um comentário